Exercício V | Crítica — Trabalho “Olhar” de Clara Bayer Moreira dos Santos

A proposta desta atividade foi realizar uma análise crítica do trabalho “Olhar” de um colega, considerando aspectos como coerência com o enunciado, identificação do objeto fotografado, qualidade de imersão e qualidade gráfica do enquadramento. O conjunto analisado foi feito pela aluna Clara Bayer Moreira dos Santos

De forma geral, ao observar o conjunto de imagens produzido por ela, tive uma impressão bastante positiva. As imagens me remeteram às referências que vimos em sala, especialmente aquelas relacionadas aos estudos de luz e sombra, o que demonstra uma boa compreensão da proposta. Além disso, há uma coerência no conjunto: todas as imagens trabalham com escalas semelhantes, exploram texturas interessantes e, principalmente, conseguem remeter a ideias de arquitetura.

  • Análise da Imagem 1

A primeira imagem me chamou atenção pela divisão em dois planos bem definidos. No primeiro plano, vemos uma superfície metalizada com água acumulada, marcada por formas retangulares em relevo. Já no segundo plano, desfocado, aparece um objeto branco, mais alto, com formas mais finas e levemente cilíndricas.

A angulação da foto, mais baixa, limita a visualização do segundo plano e direciona o foco para o primeiro, criando uma perspectiva que vai de baixo para cima. Isso contribui para a construção de uma narrativa espacial — para mim, a imagem remete a uma rua molhada em um dia chuvoso, com uma passarela ou estrutura elevada ao fundo. Embora seja possível, com alguma observação, identificar o objeto fotografado, isso não compromete a imagem criada. Pelo contrário, mantém um equilíbrio interessante entre reconhecimento e imaginação.

Talvez uma leve edição, reforçando elementos como as gotas de água ou o contraste em algumas áreas, pudesse intensificar ainda mais a sensação de chuva e aumentar a imersão. Ainda assim, considero a imagem bem resolvida e coerente com a proposta.

  • Análise da Imagem 2

A segunda imagem é um pouco menos sutil, principalmente por apresentar um único elemento em foco, com um fundo mais plano. Isso facilita a identificação do objeto, o que reduz um pouco o grau de ambiguidade em comparação com a primeira imagem. Ainda assim, ela constrói uma leitura espacial interessante.

O elemento central, com formas circulares, me remeteu a estruturas arquitetônicas como cúpulas presentes em mesquitas, sinagogas e basílicas. Ao mesmo tempo, também me lembrou representações de torres de aliens em filmes de ficção científica. Ou seja, mesmo sendo mais identificável, a imagem ainda abre espaço para interpretações. Acredito que isso também seja aumentado pela boa escolha do ângulo da imagem, que contribui para uma leitura de altura e verticalidade. E, talvez um enquadramento ainda mais próximo ou uma angulação mais baixa, que ocultasse parte do fundo, pudesse aumentar a sensação de imersão. .

  • Análise da Imagem 3:

A terceira imagem também é muito interessante. Embora ainda seja possível reconhecer o espaço fotografado, há uma riqueza maior de elementos, cores e texturas que tornam a imagem mais envolvente. A composição sugere um caminho, como um corredor, com possibilidade de continuidade — cheguei até a associar com a ideia de uma escada ou percurso.

A verticalização da imagem contribui muito para essa leitura, fazendo com que o espaço pareça mais alto e profundo. As texturas reforçam essa sensação e ajudam a construir uma experiência mais imersiva, como se o observador estivesse dentro daquele ambiente. Nesse caso, a relação com a arquitetura fica ainda mais evidente, não por representar um edifício específico, mas por evocar espacialidade, percurso e escala.

Minha considerações finais: 

De modo geral, o trabalho atende bem ao enunciado proposto. As imagens exploram diferentes enquadramentos, trabalham com texturas e luz, e conseguem transformar elementos cotidianos em arquiteturas. A identificação dos objetos não é completamente eliminada, mas isso não prejudica a proposta — em alguns casos, inclusive, contribui para enriquecer a leitura.

Por fim, destaco a qualidade do olhar da minha colega ao conseguir transformar detalhes em experiências espaciais. O trabalho demonstra sensibilidade na observação e uma boa compreensão dos objetivos do exercício.

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