Exercício XV | Zine Hertzberger: Fabulações Brasileiras

 Zine: Antropofagia de Hertzberger

Sobre o projeto

Este trabalho consistiu em um exercício individual de remixagem das colagens produzidas pelos grupos da turma, a partir de um repositório comum, para a criação de um zine individual. O formato final deveria ser em A3, utilizando dobradura com recorte central.

O conteúdo interno inclui de 3 a 6 imagens distribuídas em 6 páginas, seguindo as mesmas orientações das colagens em grupo, mas agora a partir da remixagem dos materiais disponíveis. A capa e contracapa tiveram abordagem livre, com identificação obrigatória.

Além disso, o verso (lado B) foi pensado como um exercício paralelo de composição abstrata, uma imagem que ocupa toda a página quando aberta, não necessariamente conectada aos conceitos do Hertzberger, mas podendo dialogar com as cores e estratégias visuais do zine.

Registros do Zine

  • Colagens do Zine: 
 


 



  • Fotos do Zine:



 
 


  • Imagens fonte do Zine: 

 
 















Explicação das colagens

  • Colagem 01

Nessa colagem, a escada aparece como elemento central de transição entre dois mundos: de um lado, um cenário mais rígido, marcado por edifícios em preto e branco, sem presença humana e com pouca identidade; do outro, um ambiente mais colorido, diverso e vivo.

A escada, posicionada entre esses dois polos, funciona como um espaço intermediário, onde acontece a apropriação. As pessoas desenhadas ocupam os degraus de maneiras diversas: sentadas, brincando, descansando. Isso reforça a ideia de que o espaço não precisa ter um único uso fixo.

O uso da cor também é essencial aqui: enquanto o fundo neutro sugere rigidez e padronização, a escada colorida e os personagens destacam vitalidade, uso e pertencimento. Assim, o contraste visual ajuda a evidenciar como a arquitetura pode incentivar (ou não) a ocupação.

  • Colagem 02

Essa colagem explora a ideia de gradação entre o espaço público e o privado, criando um ambiente onde esses limites não são rígidos, mas sim fluidos

As janelas abertas, as pessoas visíveis dentro das casas e os elementos urbanos na frente (como a mesa, o telefone público e os degraus) constroem essa sobreposição de camadas. O interior se torna parcialmente público, enquanto o exterior ganha características de convivência mais íntima.

A frase que acompanha — “Um lugar surge entre o ir e vir” — reforça essa noção de intervalo: não é apenas um espaço de passagem, mas um lugar onde algo acontece.

  • Colagem 03

Aqui, a malha urbana aparece de forma explícita, quase como um desenho imposto sobre a cidade. Inicialmente, ela pode ser interpretada como um elemento de controle, organização e até limitação.

No entanto, ao inserir fluxos de pessoas e manifestações culturais atravessando essa estrutura, a colagem propõe uma ressignificação: a malha deixa de ser apenas uma grade rígida e passa a funcionar como suporte para a vida urbana.

Os elementos culturais ocupam a maior parte da malha, sugerindo que, mesmo dentro de estruturas aparentemente limitadoras, existe espaço para apropriação e transformação.

  • Colagem 04

Essa colagem aborda diretamente a ideia de flexibilidade dos espaços e como eles podem ser reinterpretados pelas pessoas.

Os elementos arquitetônicos (escadas, varandas, planos) não aparecem como estruturas rígidas com função única, mas como suportes abertos a diferentes usos. As pessoas ocupam o espaço de maneiras diversas: sentando, brincando, interagindo, circulando.

Essa multiplicidade de usos reforça um dos pontos centrais de Hertzberger: o espaço bem projetado não determina completamente seu uso, mas oferece possibilidades.

A composição também contribui para isso: há uma mistura de escalas, texturas e elementos que cria um ambiente dinâmico, onde nada parece fixo ou definitivo.

Processo de criação

O primeiro passo para a criação do meu zine foi tentar organizar uma ideia geral em relação ao tema que eu gostaria de seguir. Eu queria que todas as colagens se conectassem de alguma forma, tanto conceitualmente quanto visualmente — pensando em paleta, capa, contracapa e na “atmosfera” geral do projeto. 

Ou seja, minha intenção inicial era ter uma direção bem definida antes de começar, algo que guiasse todo o processo. Para isso, fiz bastante pesquisa de referências e também desenvolvi uma paleta de cores.

O nome escolhido, “Antropofagia de Hertzberger”, veio de um comentário feito pela professora sobre a proposta do trabalho. A ideia era trazer para o contexto brasileiro as imagens e conceitos presentes no livro do Hertzberger — ou seja, “devorar” essa referência europeia, assimilá-la e transformá-la em algo próprio, criando uma produção com identidade brasileira.

Busquei muitas referências, principalmente de outros zines, tanto para entender melhor a estrutura quanto para explorar possibilidades de layout. Nesse processo, utilizei também o livro Curso de Design Gráfico, que foi um apoio importante para decisões de composição, tanto nas colagens quanto na organização do zine como um todo.

Além disso, fiz um trabalho intenso de observação das colagens da turma e dos slides apresentados sobre o livro. Anotei conceitos recorrentes, observei como eles apareciam visualmente e retomei comentários feitos pelos professores. A ideia era identificar quais elementos eu queria traduzir nas minhas colagens e de que forma isso poderia acontecer.

Depois de definir um conflito ou ideia central para cada colagem, consegui avançar para a produção. Trabalhei a partir das colagens dos colegas e também busquei imagens externas. Um desafio importante nesse momento foi encontrar imagens com boa qualidade ou tentar melhorá-las utilizando ferramentas.

Por fim, organizei tudo em um único arquivo e adicionei textos nas páginas. Esses textos funcionam como apoio visual e conceitual, ajudam a ocupar espaços e também a orientar a leitura, sem necessariamente explicar demais.

Imagens do processo de criação: 

- Esboços e ideias para capa e ideia geral (cores, nome, "vibes")


- Livro usado de referência de estudo design do zine


- Documentação e organização dos conceitos usados no trabalho


- Inspiração para a colagem abstrata:

 

- Testes de impressão


Considerações finais

O processo de criação desse zine foi desafiador por diversos motivos. 

  • Primeiro, a definição de uma concepção geral que garantisse unidade ao trabalho foi muito difícil. Busquei referências no livro, nas apresentações dos colegas, nas colagens da turma e nas orientações dos professores. Ainda assim, só consegui avançar de fato quando comecei a produzir a primeira colagem. A partir disso, várias decisões iniciais mudaram, e em alguns momentos precisei recomeçar.
  • Outro desafio foi o uso do software. Eu já tinha alguma experiência com o Affinity, mas nesse trabalho acabei explorando além do que conhecia, especialmente por utilizá-lo não só para as colagens, mas também para a montagem do zine. Isso trouxe novos problemas e aprendizados.
  • A montagem do zine em si também foi uma dificuldade. Tive dúvidas sobre a divisão da folha, o espaço de cada seção, orientação (o que ficava para cima ou para baixo) e questões técnicas como sangria. Isso impactou diretamente no tempo do processo. Fiz testes em A4, mas depois ainda precisei redimensionar tudo para A3,  inclusive, em um momento cheguei a sair para imprimir e percebi no caminho que não tinha ajustado isso.
  • Outra questão foi o corte das margens. Eu queria cortar, mas não tinha certeza se era permitido. Como não consegui confirmar a tempo, acabei adaptando a proposta e incorporando as margens na composição.

De forma geral, o gerenciamento de tempo foi o maior problema, tanto por organização quanto pelo prazo curto para impressão. No resultado final, considero que o zine ficou visualmente interessante e alinhado à proposta, mas não completamente como eu gostaria. Eu teria explorado mais cortes e dobras, mas optei por não arriscar por falta de tempo para testes. Também ajustei o espaçamento de forma diferente do planejado inicialmente, e uma das colagens acabou não ficando centralizada. A colagem abstrata também ficou mais simples do que eu gostaria, principalmente por ter sido feita por último. Ainda assim, foi um processo muito rico, tanto em termos técnicos quanto conceituais

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