Exercício XXI | Fichamento ilustrado "Teoria do Não-Objeto"
Identificação do texto
- Autor: Ferreira Gullar, poeta e crítico de arte maranhense, parte dos fundadores do Neoconcretismo
Data: Texto originalmente publicado como plaqueta em 1960 na II Exposição Neoconcreta no Rio de Janeiro
Contexto: Manifesto teórico do movimento neoconcreto, que reuniu artistas como Lygia Clark, Hélio Oiticica, Amílcar de Castro, Franz Weissmann, entre outros.
Definição de não-objeto
Trata-se uma experiência direta, que se dá à percepção sem se fixar como conceito estável. O não-objeto:
- não se reduz a função ou nome
- não é apenas material
- integra percepção sensorial e mental
Morte da pintura
Impressionismo
- Os objetos deixam de ser definidos e se dissolvem em luz e cor. O foco passa da coisa representada para a percepção.
Maurice Denis e a autonomia da superfície pictórica
- A abstração ainda não tinha nascido, mas já era anunciada
- "um quadro — antes de ser um cavalo de batalha, uma mulher nua ou alguma anedota — é essencialmente uma superfície plana coberta de cores dispostas de certa maneira"
Cubismo
- Fragmenta o objeto (cubos, planos) e rompe sua unidade natural.
- "[...] o objeto a brutalmente arrancado de sua condição natural, transformado em cubos, o que virtualmente lhe imprimia uma natureza ideal; esvaziava-o daquela obscuridade essencial, daquela opacidade invencível que caracteriza a coisa. Mas o cubo é tridimensional, ainda possui um núcleo, um dentro que era preciso consumir [...]"
Piet Mondrian e Kazimir Malevich
Eliminam o objeto representado e ficam só estruturas (linhas, formas). O objeto é "brutalmente arrancado de sua condição natural, transformado em cubos". Ainda sim, ao adicionar linhas para indicar que a tela confina com o espaço exterior, traz o objeto de volta. Assim não acaba completamente com a "não-representação".
Obra e Objeto
Aqui, o autor traz a ideia de abstração e separa ela do não-objeto, expondo como ela não rompe totalmente com a lógica do objeto, pois ainda:
- trabalha com figura e fundo
- mantém um espaço representado
- depende da moldura
Para elaborar isso, Gullar analisa elementos estruturais da arte tradicional:
- Moldura: Media a relação entre o espaço fictício da obra e o espaço real. O não objeto não depende dela por estar no espaço.
- Escultura Isola e hierarquiza a obra no espaço.
Kurt Schwitters e seu Merzbau: obra feita com objetos e fragmentos achados na rua, já livre da moldura, no espaço real.
Marcel Duchamp: o urinol Fonte – técnica do ready-made que desloca o objeto de sua função usual.
Fontana: telas cortadas – "tentativa retardada de destruir o caráter fictício do espaço pictórico pela introdução nele de um corte real".
Burri: obras que trabalham com a transformação de materiais, uma retomada dos processos dadaístas, mas "transformando-os em belas-artes".
Vantongerloo (De Stijl): a figura desaparece.
- Construtivistas russos (Tatlin, Pevsner, Gabo): eliminação da massa e da base; a escultura se despoja da condição de coisa.
Formulação Primeira
A moldura e a base não são questões meramente técnicas ou físicas, são "marcos de uma determinada posição em face da arte". Assim sendo, rompê-las significa libertar-se do "quadro convencional da cultura" para reencontrar o "deserto" de que fala Malevitch – lugar onde a obra aparece "livre de qualquer significação que não seja a de seu próprio aparecimento".
Diálogo sobre o não-objeto
- Não depende de uso ou nome
- Estabelece relação direta com o sujeito
- O não-objeto não representa algo: ele se apresenta como experiência imediata
- O espectador deixa de ser passivo, a obra só se realiza plenamente na interação
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