Exercício XXIII | Desenho em aula "Ouvir"
Considerações finais
Durante a atividade, percebi que essa transposição não é tão direta quanto parece. Como era a primeira vez que ouvíamos a música, muitas partes evocavam sensações muito específicas, quase instantâneas. Eu tentava registrá-las graficamente, mas rapidamente o som avançava e eu precisava lidar com um novo estímulo. Isso criou uma certa tensão no processo, como se o desenho estivesse sempre um pouco “atrasado” em relação ao que eu estava ouvindo.
Em termos de linguagem visual, fiquei constantemente tentando explorar formas diferentes de representação, mas acabava retornando às linhas, que são um recurso mais básico e imediato. Isso revela, de certa forma, um limite no meu repertório atual, ou talvez uma zona de conforto dentro do desenho.
As cores foram utilizadas como uma tentativa de diferenciar momentos da música, criando variações visuais ao longo da composição. No entanto, essa escolha foi condicionada pelos materiais disponíveis, e não exatamente por uma intenção cromática ideal. Por isso, sinto que o resultado final não corresponde totalmente ao que eu gostaria de expressar, nem traduz de forma tão precisa as sensações sonoras.
Outro ponto importante foi a dificuldade em lidar com o abstrato. Em vários momentos, ao invés de pensar em ritmo, intensidade ou repetição - caminhos mais diretos para esse tipo de exercício - eu acabava imaginando cenas ou imagens mais concretas. Isso dificultou a proposta inicial, que era justamente trabalhar uma tradução mais sensorial e menos figurativa.
No geral, foi um exercício desafiador, principalmente por exigir uma escuta ativa e uma resposta visual imediata. Apesar das dificuldades, ele evidenciou aspectos importantes do meu processo, como a relação com o tempo, com o improviso e com a construção de um vocabulário visual mais diverso. Também gostei do processo, e planejo praticar a atividade sozinha.

Comentários
Postar um comentário