Exercício XXV | Pesquisa-seminário Neoconcretistas + Cinéticos

  • Não-objetos de Hélio Oiticica — Relevos Espaciais (1959–60) e Núcleos (1960–66)

As obras de Hélio Oiticica dialogam com influências como o Cubismo, o Kazimir Malevich, o Piet Mondrian e o Neoconcretismo, além das proposições de Lygia Clark. Inserido nesse contexto, Oiticica estabelece o corpo como elemento central de sua obra. Para ele, o espectador deixa de ser um observador passivo e passa a ser um “participador”, alguém que circula, vivencia e ativa o espaço, abandonando a postura contemplativa tradicional diante da arte.

Os Relevos Espaciais são compostos por chapas de madeira sobrepostas, frequentemente pintadas em cores vibrantes como amarelo e vermelho. Essas estruturas criam uma organização complexa, com saliências e reentrâncias tanto nas faces quanto nas laterais, rompendo com a bidimensionalidade do plano pictórico. A cor deixa de ser apenas superfície e passa a ocupar o espaço.

Já os Núcleos expandem essa investigação ao aprofundar a noção de “corpo da cor”. Neles, Oiticica cria ambientes cromáticos imersivos formados por placas geométricas suspensas, pintadas em variações tonais de uma mesma cor. O espectador pode penetrar essas estruturas e caminhar entre elas, vivenciando a cor como experiência sensorial e espacial. Trata-se de uma passagem decisiva do plano para a tridimensionalidade, na qual o artista também controla cuidadosamente as relações cromáticas entre os elementos.


O que faz dessas obras “não-objetos”?

Oiticica rompe com a ideia de obra de arte como objeto autônomo e fechado. Em vez disso, propõe uma situação experiencial. A obra só se realiza plenamente na interação com o corpo do participador. Elementos como a suspensão no espaço, que sugere leveza e flutuação, e a abertura estrutural que evita formas compactas e definitivas, reforçam essa condição.

Além disso, o “funcionamento” dessas obras baseia-se na percepção variável: a experiência muda conforme o deslocamento do espectador. Nos Núcleos, essa dinâmica se intensifica, pois o público literalmente entra na obra, gerando uma vivência próxima da arquitetura ou de um ambiente sensorial. Mais do que produzir objetos, Oiticica busca transformar comportamentos e modos de percepção.

  • Arte cinética e Jean Tinguely

Se Oiticica dissolve o objeto na experiência, Jean Tinguely segue um caminho distinto: ele radicaliza o objeto, tornando-o instável, inútil e, de certo modo, “vivo”. Suas obras consistem em máquinas escultóricas em movimento — as chamadas metamecânicas — construídas com motores, engrenagens e sucata. Essas estruturas são deliberadamente precárias, instáveis e muitas vezes barulhentas e caóticas, revelando uma forte influência do Dadaísmo, especialmente em seu caráter absurdo e anti-funcional.

Tinguely introduz novas dimensões à escultura ao incorporar movimento imprevisível, ruído, vibração e até risco. Em alguns casos, suas obras chegam à autodestruição, como em "Homage to New York", um trabalho que se desmontava diante do público. 

Essa abordagem também funciona como uma crítica à sociedade industrial e à lógica da produção em massa, expondo o caráter efêmero, irracional e excessivo das máquinas.

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